Lula versus Bolsonaro: dilema macabro

Pela terceira vez consecutiva, a sociedade brasileira terá que se decidir entre Lula e Bolsonaro. O presente artigo desenvolve o argumento segundo o qual se trata de dilema macabro. O que se segue é uma demonstração minimalista, com base em associações óbvias, sem levar a fundo nenhum dos aspectos assinalados.

Em outro lugar, critico a orientação nefasta que reduz a escolha política: ou esquerda, ou direita. Categorias anacrônicas, que causam um desserviço muito maior do que alguma utilidade que possam ter. A esquerda e a direita atuais têm raízes nos totalitarismos, são filhotes deles; mais precisamente, do comunismo e do nazismo. Por mais que se distanciem, é ainda neles que se modelam. O comunismo tem por mitologia fundamental uma sociedade sem classes; a mitologia do nazismo é a supremacia racial. Embora os dois totalitarismos se oponham, são irmãos siameses, existe entre eles identificação especular: um é igual ao outro ao contrário.

Há poucos anos Lula estava preso e Bolsonaro era presidente. Agora, Bolsonaro está preso e Lula presidente. Brasil que leva o espelho às últimas consequências.

Vamos lá. Além de seu próprio governo e dos motivos que o levaram à prisão, o que é possível associar ao nome de Bolsonaro? No Brasil, sem dúvida, os 21 anos de ditadura militar. Na América Latina: Pinochet, no Chile; a ditadura militar argentina; e a ditadura militar uruguaia, pelo menos. No momento atual, no resto do mundo, Bolsonaro evoca, em primeiro lugar, Trump. Além disso: Milei, na Argentina; Kast, no Chile; Bukele, em El Salvador; Orbán, na Hungria; Meloni na Itália; Netanyahu, em Israel.

Agora, Lula. O que é possível associar ao nome dele, além de seus governos? No Brasil, a lembrança mais próxima, é Getúlio Vargas. Na atualidade, na América Latina: Cuba, Nicarágua, Venezuela. No mundo: China, Rússia, Coreia do Norte, Vietnã, Irã, Palestina.

Ora, ora, não é possível separar as associações de Bolsonaro da influência do nazismo alemão. Bem como não é possível descolar as associações de Lula da sombra do comunismo soviético.

A democracia só é enaltecida à medida em que interessa a objetivos, no fundo, totalitários. Defende-se a democracia, mas se aprova o massacre do povo palestino por Israel. Ou então, defende-se a democracia, mas se aprova o governo do Irã, uma teocracia totalitária, corrupta e misógina.

Que fique claro: o verdadeiro dilema, no mundo atual, não é esquerda ou direita. É democracia ou totalitarismo. E historicamente, está comprovado: a democracia é capaz de neutralizar a destrutividade do capitalismo, e de preservar as maravilhosas contribuições que ele traz para a humanidade.

Esquerda, volver? Direita, volver?

Não! Um basta a esse dilema macabro.

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