Século XIX. Revolução Industrial e seu dínamo propulsor, a Revolução Científica. As sociedades europeias transformam-se e modernizam-se rapidamente. O capitalismo e a industrialização originam-se ali, com capacidade de expandir-se por todo o mundo. É a raiz do colonialismo europeu. Destaca-se uma oposição: nova sociedade europeia e velha sociedade asiática. Hegel especula: “A História do mundo desloca-se do Oriente para o Ocidente, pois a Europa é absolutamente o fim da História, e a Ásia o começo”.
Século XXI. Como as coisas mudam! Pois a China está alçada ao futuro, e a Europa ao passado histórico. Cabe a pergunta: a China, potência hegemônica no mundo atual, é um país imperialista? Antes da resposta, uma digressão.
Com Mao Tsé-Tung, socialismo marxista, com 100% dos meios de produção estatizados e economia inteiramente planificada. Aumento da fome e da miséria. Com Deng Xiaoping, abertura habilidosa para a economia de mercado, ou seja, para o capitalismo, com a explosão de crescimento em escala nunca vista. A China abre as portas para o Ocidente, não para ser devorada, mas, para devorá-lo. Torna-se economia capitalista pujante, embora ingênuos continuem a ver ali um país comunista, ou socialista. Talvez, para não admitir que o marxismo, assim como a ideia de sociedade sem classes, fica definitivamente para trás. Escala 5.2? Não. Lá é 9.9.6: de 9 às 9 horas, 6 dias da semana.
É imperialista? A resposta é: sim, como todo grande país capitalista. Com uma diferença. O imperialismo americano, assim como o colonialismo europeu, é econômico e militar, e, desse modo, brutal. Ora, um dos símbolos da China é a grande muralha, o que mostra sua preocupação defensiva e sua tendência a não invadir. Mas, há outro símbolo chinês: a rota da seda, por sinal atualizada, que mostra seu ímpeto de se expandir comercialmente. Está aqui a diferença: o imperialismo chinês não é militar, é econômico. Suas poderosas forças armadas têm tido função defensiva. O que é mais coerente com os tempos atuais, quando uma conflagração total não teria vencedor.
Além da nova rota da seda, que alcança o primeiro mundo, o imperialismo chinês já invade, por exemplo, a África e a América Latina. Inclusive o Brasil. Nosso país é afetado de várias maneiras. Compra de terras e de recursos naturais, visando à obtenção de alimentos e de matérias primas. Somos hoje exportadores desses produtos. Esquecemos a advertência de Artur Bernardes: “Minério não dá duas safras”. E o que é pior: assistimos passivamente ao desmantelamento de nosso parque industrial. Somos a China ao avesso: acontece aqui o maior processo de desindustrialização que o mundo conhece. Estamos longe de poder competir com a indústria chinesa, e compramos quase tudo dela.
O resultado é nada alentador. O Brasil caminha para ser uma grande fazenda de exploração predatória. O que inspira a formular a diferença entre a direita e a esquerda brasileira. A direita quer que sejamos quintal dos EUA, e a esquerda quer que sejamos quintal da China.