Quem mata mais, esquerda ou direita?

 

Com suas guerras, massacres e genocídios, o século XX foi o mais terrível e sangrento da história da humanidade. E as querelas são intermináveis. A esquerda faz violentas acusações à direita:  6 milhões de judeus foram mortos no Holocausto, além de 6 milhões de outros perseguidos (ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais, opositores políticos, prisioneiros de guerra); outras mortes decorrentes de massacres e ações de guerra, incluindo crimes do Japão imperial na Ásia, chegam a 50 milhões. Sem contar assassinatos de ditaduras de direita na América Latina.

A direita reage com veementes acusações à esquerda: estimativas acadêmicas cautelosas calculam de 40 a 70 milhões de mortes pelo comunismo, no século XX, principalmente na China de Mao Tsé-Tung, na União Soviética de Stalin e no Camboja do Khmer Vermelho.

São estimativas, jamais saberemos o número correto. Se as querelas não têm um vencedor, com certeza temos um perdedor: a humanidade. Cada uma das partes pode ser responsabilizada por várias dezenas de milhões de mortos, no século mais trágico da história. Morticínio perpetrado por regimes totalitários, que inspiram, ainda hoje, esquerda e direita no mundo inteiro, com teses tão defensáveis como sociedade sem classes ou supremacia racial.

Nosso dilema não é esquerda ou direita; é civilização ou barbárie, ou então, totalitarismo ou democracia. Democracia não é um projeto, não é um plano, nem um conjunto de propostas econômicas ou sociais. Democracia são as regras de um jogo complexo, onde se procura sanar os males do capitalismo: como construir uma concorrência que não seja predatória, um desenvolvimento sustentável, uma desigualdade que não seja excludente. Não há receita definida, nem dogmas a serem defendidos com mão de ferro, nem verdades intocáveis. Na democracia, o que vigora é o debate franco, a alternância, a dialética. Daí a aparência de fragilidade ou mesmo de caos que ela mostra. Mas, aí está sua força. Medidas variam conforme tempo e lugar. Às vezes, liberalismo econômico, outras vezes, intervenções keynesianas, ou então estatização de empresas, afora iniciativas criadoras. Só a democracia pode estar â altura dos grandes problemas que o futuro nos reserva: concentração de renda, meio ambiente, biotecnologia, inteligência artificial.

A democracia tem três pilares: Executivo, Legislativo e Judiciário. São os três poderes constitutivos. No Brasil, existe democracia? Seria um impropério dizer que não existe. Trata-se, porém, de democracia muito precária.

Qual o principal problema do Brasil e qual sua solução? Considere-se a seguinte resposta: o principal problema do Brasil é a delinquência dos poderes constituídos, que, em vez de fiscalizarem um ao outro, no cumprimento de suas funções sociais, fazem um conluio para extorquir a sociedade. E a solução seria reforma do Judiciário e reforma política, capazes de ultrapassar o problema.

Uma proposta de tal natureza, seria de esquerda ou de direita?

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