Entre ambientalistas, é comum uma índole alarmista. Exemplo célebre é o do biólogo estadunidense Paul Ralph Ehrlich, que, em 1968, publica o livro A bomba populacional, no qual prevê o esgotamento de recursos naturais, fomes generalizadas e mortes de centenas de milhões de pessoas nas décadas de 1970 e 1980. Com efeito, a explosão demográfica, durante muito tempo, infernizou a vida de muita gente; no entanto, hoje, o que se comprova é uma crise demográfica (redução da natalidade com aumento da longevidade), que, só não é uma implosão demográfica, porque as populações estão vivendo mais. Ou seja, quando o tema é meio ambiente, não falta profetas do apocalipse, anunciando vários tipos de catástrofes globais.
No outro extremo, existe uma corrente que propaga o cepticismo ambiental: as alterações climáticas resultam de mudanças naturais e nada têm a ver com a mão do homem; o alarmismo partiria de mentalidades anticapitalistas, que visam minar a liberdade de ação econômica. Em suma: a polarização esquerda x direita chega ao ambientalismo; os esquerdistas tendem a ser alarmistas e os direitistas cépticos.
Uma nova tendência ganha força na atualidade: a que procura uma aliança entre progresso tecnológico e preservação da natureza. Um exemplo é Michael Shellenberger, com seu livro Apocalypse Never — Por que o alarmismo ambiental prejudica a todos. Para ele, a mudança climática é real, mas não é o fim do mundo, não é sequer nosso maior problema ambiental.
Uma das prioridades abordadas é a questão energética. O autor aponta vantagens e limites das hidrelétricas, discorre sobre carvão, gás e petróleo (emissores de gás carbônico), critica energia solar e eólica (falsamente consideradas “energias limpas”) e argumenta com detalhes sua preferência pela energia nuclear, a menos danosa (cujos riscos são supervalorizados pela indústria do petróleo e do gás).
O livro examina vários temas polêmicos, como os pulmões da Terra, o uso de plásticos, a industrialização, a sobrevivência de baleias e de peixes, o hábito de comer carne, os átomos pela paz, a bomba climática e a angústia apocalíptica. O autor prega um humanismo ambiental, que consiste no respeito às necessidades das populações locais e ao desenvolvimento de nações pobres, algo fundamental para a preservação da natureza, quando aliado a certas inovações tecnológicas. O uso de pesticidas, por exemplo, é importante para banir o espectro da fome no mundo, o que torna insensato combatê-los indiscriminadamente. Além do mais, não é certo que produtos orgânicos sejam mais saudáveis, além de sua produção ser totalmente inviável para grandes populações. O ambientalismo apocalítico é tratado como uma religião, assim como sua irmã, o naturismo vegetariano, que usa linguagem científica, mas, sem nenhum embasamento. É sabido, por exemplo, que agentes carcinógenos naturais, produzidos pela vida vegetal, estão presentes em quantidades milhares de vezes maiores do que aqueles da indústria química. Mas o fanatismo religioso ambientalista ignora fatos e argumentos, crente que o apocalipse está perto, conforme sugere sua origem na tradição judaico-cristã.