A discussão sobre cotas e grupos preferenciais geralmente fica restrita ao campo teórico, tanto da parte dos que são a favor como da parte dos que são contra. A questão factual do que realmente acontece como resultado das políticas não tem despertado quase nenhuma atenção. O ponto de vista é de Thomas Sowell, autor de Ação Afirmativa ao Redor do Mundo, Um Estudo Empírico sobre Cotas e Grupos Preferenciais. PhD em Economia pela Universidade de Chicago, professor de Economia em várias universidades, seu interesse pelo tema tem valor adicional por ser ele de origem negra. O livro é fruto de muitos anos de pesquisas em diversos países: Índia, Malásia, Sri Lanka, Nigéria, Estados Unidos, entre outros.
Cotas frequentemente são baseadas em condições sociais da atualidade ou em traços históricos peculiares a determinada nação. Apesar das diferenças entre as nações, é impressionante observar como as consequências das políticas de cotas são as mesmas em várias regiões do mundo. Em seguida, uma sinopse de algumas delas.
Políticas de cotas quase sempre surgem como medidas temporárias, ou disposições transitórias, mas, invariavelmente, se tornam duradouras ou mesmo definitivas.
O número de grupos preferenciais tende a expandir-se. Nos Estados Unidos, por exemplo, há, inicialmente, os negros e os índios. Depois, são criados os grupos dos hispanoamericanos, dos asiaticoamericanos e das mulheres. É claro que a ampliação prejudica os beneficiários originais.
Políticas de cotas beneficiam os mais afortunados dos grupos preferenciais, e trazem progressos mínimos para a grande maioria de mais necessitados, reproduzindo assim a estrutura que visavam a combater. Isso é particularmente bem demonstrado com os negros nos Estados Unidos e com os intocáveis na Índia, para quem, com frequência, os mais desvalidos não concluem os cursos, ou nem chegam a preencher as vagas.
A tensão entre grupos, que políticas de cotas visam à redução, aumenta consideravelmente, com polarização e aumento da hostilidade, atingindo níveis dramáticos na Índia e no Sri Lanka, onde sucedem contribuir para milhares de mortes e até mesmo para guerra civil.
Para o autor, políticas de cotas e grupos preferenciais não alcançam os objetivos pretendidos, têm elevado custo social e agravam situações pré-existentes. Constituem “solução irreal para problema real”. Deveriam ser revistos, inclusive, os fundamentos em que se baseiam. Quando pensa em alternativas, o autor assinala que, nos primórdios do século XX, apenas cerca da metade da população negra dos Estados Unidos era capaz de ler e escrever, judeus viviam amontoados em favelas no leste de Nova Iorque, e a situação dos sinoamericanos parecia sem esperança. No entanto, o progresso de todos esses grupos ocorreu muito acima das expectativas, antes que houvesse cotas ou grupos preferenciais. O mesmo se pode dizer das mulheres: é possível comprovar que seu progresso obedeceu a outros fatores, nada tendo a ver com cotas.