História mínima dos tempos atuais

Na primeira metade do século XX, duas Grandes Guerras, confrontos entre grandes blocos do capitalismo mundial. No final da Primeira Grande Guerra, em 1917, acontece a Revolução Russa. No final da Segunda Grande Guerra, em 1945, é a vez da Revolução Chinesa. Duas das maiores nações do planeta; os ventos da História sopram para o lado do comunismo. No entanto, ao contrário do que prevê Marx, são duas estruturas predominantemente feudais. No mundo capitalista avançado, a classe operária não luta por Revolução, mas, sim, por ascensão social. O que vem a acontecer. Em boa parte do Primeiro Mundo, suas conquistas culminam no Estado de Bem-Estar Social.

Em 1978, depois da morte de Mao Tsé-Tung, Deng Xiaoping assume o poder na China. E, ao contrário do Grande Timoneiro, que, com sua Revolução Cultural, fecha as portas para o Ocidente, Deng Xiaoping introduz sua Reforma e Abertura: abre as portas para a cultura ocidental, e mais do que isso, para a economia de mercado. Empresas estrangeiras podem instalar-se, desde que tenham parceria com empresas chinesas.

Em 1979, Margareth Thatcher assume como Primeira-Ministra do Reino Unido, e em 1981, Ronald Reagan como Presidente dos EUA. O liberalismo econômico caminha para o auge de sua pujança.

Em 1991, acontece a surpreendente dissolução da União Soviética. Com tudo isso, está preparado o terreno para consumar a globalização da economia, e o capitalismo mostra suas garras. De modo sorrateiro, acelera a transferência de indústrias para a China e outros países da Ásia, onde o custo operacional é muito mais baixo, sem contar que lá não existe pressão de sindicatos ou da Justiça. Os produtos, depois, são importados, mais baratos e com lucro maior. A transferência de indústrias (e de tecnologia) é de tal ordem que muda o panorama mundial.

Ironias da História. Como assinalado, a ascensão social da classe operária floresce, nos países industrializados, em vez do ímpeto revolucionário. Com a globalização, porém, a avidez capitalista busca, em outros lugares, mão-de-obra de mais baixo custo. Pode-se dizer, então, que ganhos alcançados por operários asiáticos (principalmente chineses) comprometem conquistas de operários ocidentais. Ou seja, em vez de união de proletários de todos os países, competição. Outra ironia: na Rússia e na China, a evolução segue curso imprevisto: feudalismo – comunismo – capitalismo.

Por outro lado, em 2008, é a vez do liberalismo econômico entrar em crise grave, que põe por terra a tese de que o livre mercado tem poder eficiente de regulação.

Em 2016, a eleição de Donald Trump, para Presidente dos EUA, é o início do fim da globalização do mercado. O mundo, porém, já é inteiramente outro, e não há como reverter a grande mudança. Em cinquenta anos, a China torna-se uma grande potência, talvez a maior de todas; o pêndulo da hegemonia capitalista desloca-se para o Oriente. E, em vez de polarização, caminha-se para uma realidade universal multicêntrica.

Se existe lâmina cortante da verdade, pode-se dizer que, quanto mais fina, mais corta.

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